3. Desafios

Brasil no movimento global da conservação e regeneração do meio ambiente

É EVIDENTE O POTENCIAL QUE O BRASIL POSSUI PARA GERAR DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO DENTRO DA LÓGICA EMERGENTE AMBIENTAL.

Mas é preciso inovar e adotar uma abordagem sistêmica e multissetorial, em que os negócios se relacionam com o meio ambiente como um ativo e não exclusivamente como um passivo.

PRINCIPAIS DESAFIOS

Os especialistas que contribuíram com este estudo destacam os principais desafios ambientais brasileiros da atualidade:

As mudanças climáticas são um dos maiores desafios a serem enfrentados pela sociedade global no século XXI. Isso porque pode gerar impactos devastadores às trajetórias de desenvolvimento dos países e, consequentemente, sobre a vida de suas populações e de seus sistemas produtivos, os ecossistemas.

Para combater as mudanças climáticas, a sociedade global deverá realizar uma transição para uma economia de baixo carbono, o que na prática significa zerar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) até a metade do século XXI. De fato, isso demandará esforços das empresas para desenvolver produtos e serviços com menor emissão de GEE ou, em outras palavras, menor pegada de carbono. Isso deve ser feito, principalmente, a partir da adoção de metas baseadas na ciência (science-based targets) por parte das empresas.

Para tal transição, a ONU estima ser necessário o investimento anual de recursos da ordem de US$ 1,6 trilhão a US$ 3,8 trilhões até 2050, o que deverá gerar grandes oportunidades de negócios ao setor privado.

Por outro lado, mesmo com o combate às causas da mudança do clima, já é evidente a necessidade de as empresas investirem em ações que aumentem sua resiliência frente aos impactos de eventos climáticos extremos, principalmente em relação àqueles impactos relacionados ao regime hidrológico (períodos de secas ou chuvas acima do normal e tempestades pontuais).

Esses impactos são especialmente relevantes para o setor privado, pois grande parte dos sistemas produtivos depende da disponibilidade de água para sua operação. Apenas em 2017, os impactos gerados por tais eventos geraram perdas de US$ 330 bilhões globalmente, sendo que apenas US$ 136 bilhões estavam protegidos por algum tipo de seguro.

O desmatamento ilegal dos principais biomas do país, como a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica, gera perdas muito mais profundas e em mais níveis do que podemos imaginar.

Além dos impactos negativos imediatos na região em que ocorrem, o desmatamento no país tem afetado cada vez mais a capacidade de geração de receitas do setor produtivo, principalmente por dois motivos:

a. parceiros comerciais têm sinalizado embargos a produtos de áreas desmatadas; b. perde-se a capacidade de explorar ativos contidos nas florestas que gerariam recursos financeiros à região, contribuindo para seu desenvolvimento.

Somados a isso estão os impactos ambientais indiretos que já começam a ser sentidos pela sociedade, como a diminuição de chuvas em regiões produtivas do agronegócio no Norte, Centro-Oeste e Sudeste, aumentando o custo produtivo e os riscos sobre a produtividade de diversas culturas. Além da ocorrência de nuvens gigantescas de fumaça em centros urbanos nessas regiões, em função das queimadas utilizadas para o desmatamento de florestas.

Segundo dados do IBGE, entre 2000 e 2018, o Brasil perdeu 500 mil km² de florestas – o que equivale a duas vezes a área do estado de São Paulo.

Tanto no meio rural como no urbano o planejamento territorial e o desenvolvimento de infraestrutura no Brasil têm apresentado diversas lacunas. Uma das mais relevantes reside na baixa capacidade de conciliar modelos produtivos e zonas de conservação, subaproveitando o uso estratégico e sustentável dos recursos naturais.

A ocupação desordenada do solo tem priorizado o capital construído sobre o capital natural no Brasil, suprimindo o potencial de utilização de ativos ambientais – em especial os florestais – na economia brasileira.

Por outro lado, no ambiente urbano, esse processo também gera prejuízos a diversos setores como habitação, transporte e logística, saneamento básico, entre outros. A concentração populacional nos grandes centros urbanos também aumenta os impactos em termos de poluição (principalmente atmosférica e de recursos hídricos), diminuindo a qualidade de vida da própria população e forçando grupos mais vulneráveis a residirem em habitações precárias.

Segundo dados do IBGE, em 2019, o Brasil possuía em torno de 14 milhões de habitantes vivendo em 5,12 milhões de habitações consideradas “subnormais”, termo que designa favelas e outras habitações irregulares em terrenos sem padrão urbanístico, com carência de serviços públicos e localizadas em áreas com restrição para a ocupação.

A população brasileira, ainda hoje, sofre com uma infraestrutura de saneamento insuficiente e que gera graves consequências ao desenvolvimento nacional.

O déficit de cobertura e qualidade do saneamento básico atinge quase a metade da população brasileira (tanto abastecimento de água potável quanto coleta e tratamento de esgotos e resíduos sólidos) e gera impactos de maneira mais evidente sobre a saúde da população e sobre o meio ambiente, porém também afeta negativamente a educação e a produtividade no país.

Nesse sentido, as oportunidades de desenvolvimento do país acabam sendo minadas tanto no campo da qualidade de vida e da produtividade quanto no campo da degradação dos ativos ambientais do país, que poderiam contribuir para o desenvolvimento e a geração de riqueza no Brasil.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, para cada real investido na universalização do acesso a saneamento básico são gerados R$ 8,9 em retorno econômico para o Brasil.

As mudanças climáticas são um dos maiores desafios a serem enfrentados pela sociedade global no século XXI. Isso porque pode gerar impactos devastadores às trajetórias de desenvolvimento dos países e, consequentemente, sobre a vida de suas populações e de seus sistemas produtivos, os ecossistemas.

Para combater as mudanças climáticas, a sociedade global deverá realizar uma transição para uma economia de baixo carbono, o que na prática significa zerar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) até a metade do século XXI. De fato, isso demandará esforços das empresas para desenvolver produtos e serviços com menor emissão de GEE ou, em outras palavras, menor pegada de carbono. Isso deve ser feito, principalmente, a partir da adoção de metas baseadas na ciência (science-based targets) por parte das empresas.

Para tal transição, a ONU estima ser necessário o investimento anual de recursos da ordem de US$ 1,6 trilhão a US$ 3,8 trilhões até 2050, o que deverá gerar grandes oportunidades de negócios ao setor privado.

Por outro lado, mesmo com o combate às causas da mudança do clima, já é evidente a necessidade de as empresas investirem em ações que aumentem sua resiliência frente aos impactos de eventos climáticos extremos, principalmente em relação àqueles impactos relacionados ao regime hidrológico (períodos de secas ou chuvas acima do normal e tempestades pontuais).

Esses impactos são especialmente relevantes para o setor privado, pois grande parte dos sistemas produtivos depende da disponibilidade de água para sua operação. Apenas em 2017, os impactos gerados por tais eventos geraram perdas de US$ 330 bilhões globalmente, sendo que apenas US$ 136 bilhões estavam protegidos por algum tipo de seguro.

O desmatamento ilegal dos principais biomas do país, como a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica, gera perdas muito mais profundas e em mais níveis do que podemos imaginar.

Além dos impactos negativos imediatos na região em que ocorrem, o desmatamento no país tem afetado cada vez mais a capacidade de geração de receitas do setor produtivo, principalmente por dois motivos:

a. parceiros comerciais têm sinalizado embargos a produtos de áreas desmatadas; b. perde-se a capacidade de explorar ativos contidos nas florestas que gerariam recursos financeiros à região, contribuindo para seu desenvolvimento.

Somados a isso estão os impactos ambientais indiretos que já começam a ser sentidos pela sociedade, como a diminuição de chuvas em regiões produtivas do agronegócio no Norte, Centro-Oeste e Sudeste, aumentando o custo produtivo e os riscos sobre a produtividade de diversas culturas. Além da ocorrência de nuvens gigantescas de fumaça em centros urbanos nessas regiões, em função das queimadas utilizadas para o desmatamento de florestas.

Segundo dados do IBGE, entre 2000 e 2018, o Brasil perdeu 500 mil km² de florestas – o que equivale a duas vezes a área do estado de São Paulo.

Tanto no meio rural como no urbano o planejamento territorial e o desenvolvimento de infraestrutura no Brasil têm apresentado diversas lacunas. Uma das mais relevantes reside na baixa capacidade de conciliar modelos produtivos e zonas de conservação, subaproveitando o uso estratégico e sustentável dos recursos naturais.

A ocupação desordenada do solo tem priorizado o capital construído sobre o capital natural no Brasil, suprimindo o potencial de utilização de ativos ambientais – em especial os florestais – na economia brasileira.

Por outro lado, no ambiente urbano, esse processo também gera prejuízos a diversos setores como habitação, transporte e logística, saneamento básico, entre outros. A concentração populacional nos grandes centros urbanos também aumenta os impactos em termos de poluição (principalmente atmosférica e de recursos hídricos), diminuindo a qualidade de vida da própria população e forçando grupos mais vulneráveis a residirem em habitações precárias.

Segundo dados do IBGE, em 2019, o Brasil possuía em torno de 14 milhões de habitantes vivendo em 5,12 milhões de habitações consideradas “subnormais”, termo que designa favelas e outras habitações irregulares em terrenos sem padrão urbanístico, com carência de serviços públicos e localizadas em áreas com restrição para a ocupação.

A população brasileira, ainda hoje, sofre com uma infraestrutura de saneamento insuficiente e que gera graves consequências ao desenvolvimento nacional.

O déficit de cobertura e qualidade do saneamento básico atinge quase a metade da população brasileira (tanto abastecimento de água potável quanto coleta e tratamento de esgotos e resíduos sólidos) e gera impactos de maneira mais evidente sobre a saúde da população e sobre o meio ambiente, porém também afeta negativamente a educação e a produtividade no país.

Nesse sentido, as oportunidades de desenvolvimento do país acabam sendo minadas tanto no campo da qualidade de vida e da produtividade quanto no campo da degradação dos ativos ambientais do país, que poderiam contribuir para o desenvolvimento e a geração de riqueza no Brasil.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, para cada real investido na universalização do acesso a saneamento básico são gerados R$ 8,9 em retorno econômico para o Brasil.

Para explorar os desafios e oportunidades dos principais setores da economia

VEJA A MATRIZ

David Canassa

Legado das Águas/ Votorantim

“Precisamos transformar a floresta em pé em um negócio que alie conservação e atividades da nova economia. Isso só será possível através do entendimento das potencialidades do território e do desenvolvimento socioambiental local.”

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