Estruturação do mercado de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) no Brasil

O Brasil detém uma rara combinação de ativos e vive um momento decisivo para as Soluções Baseadas na Natureza (SbN). Com capital já mobilizado, o desafio mudou: além de atrair recursos, o foco passa a ser garantir a prontidão do pipeline, a capacidade de execução e a infraestrutura de mercado.

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Mapa de segmentos, gargalos e alavancas.

Da oportunidade à lógica de mercado

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Para que a economia da natureza ganhe escala, as Soluções Baseadas na Natureza (SbN) devem ser compreendidas além da agenda puramente ambiental. Neste estudo, SbN representa a intersecção onde a resolução de desafios climáticos e sociais se encontra com ganhos líquidos de biodiversidade e viabilidade econômica.

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“O problema central passou a ser organizar as condições para que esse mercado ganhe escala com integridade, não havendo necessidade de provar que SbN importa.”

 
 

Soluções Baseadas na Natureza (SbN)

Por definição, este estudo considera que SbN endereça majoritariamente resolução de desafios sociais e climáticos, ganhos líquidos de biodiversidade, viabilidade econômica e bem-estar humano.

A anatomia do mercado em 10 segmentos estratégicos

Os 10 segmentos não operam em silos. Dados qualificam o pipeline. O pipeline se conecta ao capital. O capital permite a implementação territorial. A demanda, ancorada em políticas públicas, constrói previsibilidade e escala.

 

Um projeto de restauração, uma cooperativa de sociobioeconomia e uma empresa de tecnologia para a natureza não alcançarão o capital pela mesma rota. Ler o mercado como uma classe de ativos única reduz a eficiência de cada decisão de alocação.

 
 

O que o ecossistema revela?

Um convite à exploração interativa (ferramentas e dados)

Para que a inteligência deste mapeamento não ficasse restrita a planilhas estáticas, transformamos as informações do mercado em duas ferramentas dinâmicas: uma rede de afinidades (grafo) e um painel analítico (dashboard). Convidamos você a interagir com os dados e mergulhar nas especificidades de segmentos, biomas e papéis.

A Rede (grafo): mapeando afinidades

Explore a conexão de 2.177 organizações mapeadas não por parcerias comerciais, mas por afinidades temáticas e propósitos compartilhados. As cores indicam o segmento estratégico, enquanto as formas geométricas revelam o papel do ator no mercado: círculos para ofertantes, quadrados para financiadores e triângulos para dinamizadores.

Dica de navegação: dê um duplo clique em qualquer organização para ativar o “modo de foco” e isolar a sua rede imediata de conexões.

 

Painel analítico: cruzando variáveis

Use nossa central de exploração interativa para aplicar filtros combinados e criar análises sob medida. Navegue pelas abas temáticas (“Panorama”, “Anatomia SbN” e “Cruzamentos”) e utilize o menu lateral para cruzar informações por biomas de atuação, detalhamento de papéis e marcadores específicos (tags).

Dica de navegação: esta visualização está otimizado para desktop e tablet.

 

Destaques estratégicos: O que você descobrirá?

Ao explorar as ferramentas acima, os dados revelam uma alta interdependência do ecossistema e trazem à tona padrões cruciais do setor:

1

Tração e transversalidade

Três segmentos concentram a maior fatia do ecossistema: Conservação Florestal, Nature Techs e Infraestrutura Verde. Isso reflete áreas com tração já estabelecida em ativos ecológicos e as tecnologias (como as Nature Techs) que fornecem a infraestrutura digital para viabilizar os demais.

2

O descompasso de papéis

As ferramentas escancaram um gargalo estrutural: há abundância de ofertantes na ponta, mas severa escassez de financiadores e dinamizadores territoriais. Sem esses articuladores, as iniciativas não conseguem acessar capital.

3

A inovação no fluxo de capital

Os longos ciclos biológicos e os riscos das SbN exigem inovações financeiras. O fluxo de capital mostra o protagonismo de investidores usando blended finance e capital paciente para viabilizar o mercado.

4

Maturidade irregular no território

O mapa de biomas reflete uma sub-representação da Zona Costeira e Marinha. A Economia Azul no Brasil ainda esbarra em desafios regulatórios e na falta de pipeline estruturado para atrair capital de risco.

5

A ancoragem territorial

Na Sociobioeconomia, a alta proporção de cooperativas e negócios comunitários comprova que a escala desse segmento depende, intrinsecamente, do fortalecimento de organizações locais e governança comunitária.

Pontos de alavancagem: caminhos para estruturar o mercado

Ao explorar as ferramentas acima, os dados revelam uma alta interdependência do ecossistema e trazem à tona padrões cruciais do setor:

Imagem de capa da publicação Infraestrutura nacional de pipeline
Infraestrutura nacional de pipeline

A principal lacuna hoje é a falta de um pipeline legível. É preciso criar padrões mínimos e tornar os ativos comparáveis para facilitar a avaliação de risco e a conexão com o capital.

Imagem de capa da publicação Plataformas territoriais de implementação
Plataformas territoriais de implementação

A escala não nasce apenas de projetos individuais, mas de arranjos locais (como BioHubs) capazes de articular governança, assistência técnica, beneficiamento e financiamento em uma mesma base territorial.

Imagem de capa da publicação Inovação financeira e capital paciente
Inovação financeira e capital paciente

Soluções padronizadas falham diante de ciclos biológicos longos. A próxima fase exigirá arquiteturas financeiras que combinem grants, capital catalítico, dívida flexível e blended finance para alinhar risco e retorno às condições da natureza.

Imagem de capa da publicação Dados e integridade
Dados e integridade

O valor das SbN depende de atributos que precisam ser comprovados (como carbono, origem e biodiversidade). Rastreabilidade e sistemas robustos de monitoramento (MRV) não são apenas apoio técnico, mas condições centrais para garantir a confiança e a financiabilidade.

Imagem de capa da publicação Política pública e indução de demanda
Política pública e indução de demanda

Nenhum mercado escala apenas com oferta. O Estado e os compradores corporativos precisam ajudar a induzir a demanda via compras públicas, linhas de crédito e contratos de longo prazo (como offtake) para dar previsibilidade de receita aos projetos.

O ecossistema em movimento: quem já constrói este mercado

O mercado brasileiro de Soluções Baseadas na Natureza não parte do zero. Nos últimos anos, formou-se uma robusta camada intermediária de coalizões, plataformas, fundos, organizações territoriais e instituições financeiras que já cumprem a função decisiva de estruturar o ecossistema. O estudo identifica essas estruturas em quatro frentes de atuação:

Coordenação financeira

Organizações que produzem inteligência de mercado, estruturam soluções de blended finance e operam programas de indução para reduzir riscos e aproximar ativos do capital compatível.

Organização institucional e marcos

Iniciativas focadas em estabelecer critérios de elegibilidade, linguagens comuns (como taxonomias) e em conectar as SbN a instrumentos de planejamento e política pública.

Capacidade territorial

Os dinamizadores que atuam na ponta com assistência técnica, fortalecimento de negócios comunitários, governança local e articulação de cadeias da sociobiodiversidade.

Tecnologia, dados e integridade

A nova geração de plataformas (Nature Techs) voltadas a rastreabilidade, MRV, geointeligência e compliance, fundamentais para transformar valor socioambiental em ativos comparáveis e financiáveis.

Participe da estruturação deste mercado

Estruturação do mercado de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) no Brasil

O Brasil pode ir além de apenas participar do mercado global de Soluções Baseadas na Natureza – podemos ajudar a defini-lo. Baixe o estudo completo, explore as ferramentas interativas e descubra as conexões que impulsionarão o seu próximo movimento estratégico.

Equipe

COORDENAÇÃO

Daniel Contrucci

Laura Fostinone

Ude Lottfi

EQUIPE TÉCNICA CLIMATE VENTURES

Laura Fostinone

Daniel Contrucci

Ude Lottfi

Fabiana Philippi

Heloisa Garcia

Maria Eugênia Buosi

Vitor Salomao

EQUIPE TÉCNICA – EXTERNOS

Queries and Code – Rafael Pereira

Indense – Luiz Bouabci

Juliana Baladelli Ribeiro – Fundação Grupo Boticário

Guilherme Karam – Fundação Grupo Boticário

EDIÇÃO E REVISÃO DE TEXTO

Luiz Teodoro

RevisoLab

Gabriela Rocha

DESIGN E DIAGRAMACAO

Climate Ventures

Amanda Custodio

Sintrópika

Nossos Parceiros

We work in collaboration with organizations and institutions committed to the climate agenda and sustainable development, including:

 

Esses parceiros desempenham um papel crucial no desenvolvimento e implementação das soluções e análises apresentadas pelo OV Insights.